Será???

Não pode ser verdade.

 

Será possível que perdi todos os comentários antigos hospedados no haloscan? Segundo a Dani, criadora do template do Primeiras Estórias, posso, sim, ter perdido TUDO. Imagine! Pode ser um probleminha temporário, mas tudo leva a crer que a cambada do haloscan mudou alguma coisa e não deu a mínima pra nós usuários. Alguém me ajude, por favor.





Rê contou sua estória às 17h04

[   ] [ envie esta mensagem ]




Sem preconceitos, enfim

 

Estou viva.

 

Depois de três dias muito bem aproveitados em Diamantina, eu digo que meu carnaval foi ótimo, bem mais do que eu esperava. Mas antes de achar isso, achei péssimo. Eu conto: cheguei no sábado e fui me encontrar com o amigo que me hospedaria. Eu e uma outra amiga fomos recebidas por outras quatro meninas. Nada de sorrisinhos ou mensagens simpáticas de boas-vindas. Nada disso. Quando as quatro olharam para as nossas malas, disseram num só coro: “Nooooossa! Vocês vão ficar aqui? Aqui tá muuuuuito cheio!” Pois é! Aproveitamos que meu amigo não se encontrava na casa e demos meia-volta. Colocamos as malas no carro e fomos pra casa que uma outra amiga ficaria. Foi aí que enxergamos algum pontinho de luz no fim do túnel. A essa altura, eu e Tâmara já pensávamos em como seria nossa noite estateladas no banco da praça. Mas a sorte bateu à nossa porta. Dona Neném, a queridinha dos universitários da cidade, que também hospedaria a nossa outra amiga disse que daria um jeito. E deu. Não ficamos na casa dela, mas, conseguimos um quartinho – muito confortável, diga-se de passagem – na casa de Dona Anália, sua prestativa irmã.

 

Problema resolvido fomos todos para o centro histórico. Lucas, Tâmara, Karine e eu parecíamos et’s olhando pra multidão que invadia Diamantina. A muvuca era tanta que não havia muita escolha. Ajoelhamos e tivemos de rezar. Ôh luta, viu. O axé rolando solto e eu, o peixe mais fora d’água daquela situação, tentava encontrar um lugarzinho onde eu pelo menos pudesse respirar. Respirei fundo, contei até quinze, rezei um pai-nosso e lá fui eu me engraçar com as canções de axé – uma com o conteúdo mais inteligente do que a outra, claro. E dancei, dancei, dancei e dancei mais um pouco. A multidão adorava e eu ia atrás feliz e sorridente como se aquele fosse meu mais puro habitat. Fomos embora depois de algumas horas, pois, a chuva que caía não era pouca e não tinha qualquer piedade dos foliões. Depois de um banho, de um sanduíche, de uma bisbilhotada no big brother e de uma cochilada rejuvenescedora lá fomos nós para a noitada. A impressão era a de que mais de cem mil pessoas entupiam as ladeiras da pequena Diamantina. Mas quando cheguei no aglomerado nada tirava da minha cabeça que as cem mil pessoas habitavam o mesmo metro quadrado que eu. O mau humor chegou e com ele uma vontade surpreendente de ir pra rodoviária e pegar qualquer ônibus que me deixasse em algum lugar longe dali. Fiquei até às seis da manhã nesse redemoinho de gente. Uma hora e meia só pra percorrer um espaço de no máximo dez metros.

 

No outro dia, porém, meus amigos e eu resolvemos utilizar nossas massas cranianas. Procuramos e achamos um lugar menos muvucado. E foi aí...

 

... que realmente meu carnaval começou. Dancei, cantei, gritei, tive vontade de assassinar algumas centenas de bêbados, tive dor nos pés e nas pernas, tive inúmeras crises de riso, conversei com desconhecidos, encontrei os conhecidos, observei, refleti, me cansei, enfim. Foi bom por tudo isso, mas, principalmente porque eu quis que fosse muito bom e muito divertido.

 

Bom pós-carnaval pra todos!





Rê contou sua estória às 07h01

[   ] [ envie esta mensagem ]




Abram as alas que eu quero passar

Há duas semanas que venho trabalhando exaustivamente. Todos os dias aparecem novas tarefas, novas solicitações, novas pessoas precisando de novas respostas, novos textos, novas planilhas. Haja cérebro pra guardar tanta informação e haja organização pra fazer tudo aquilo que já fazia e o que surgiu no mesmo tempo de antes. É difícil, às vezes perco a calma, às vezes perco o pique, às vezes não me conformo em acordar às seis da manhã, mas, não há nada melhor do que sentir o gosto da independência e do reconhecimento – mesmo que bem pouco. Quando penso que ainda faltam tantos projetos e experiências consigo ficar menos impaciente e me cobrar menos. Ano que vem quero morar fora do país. Vou pra Londres! Dizem que as palavras têm poder. É por isso que já falo logo que vou. Mas sei, também, que vai me doer um bocado pegar um avião e desembarcar numa terra que não é a minha. Mas ao mesmo tempo não é justo me privar de algo que eu sempre quis e que eu sempre achei muito bacana. Eu vou. E vai ser fantástico, ainda que o coração diminua com tanta saudade. Agora é continuar a trabalhar, a encher o cofrinho e amadurecer bastante a idéia.

 

Na verdade, eu ia escrever sobre o carnaval, mas não saiu nada que fosse plausível – talvez, porque, eu não goste tanto dessa época. Vou pra Diamantina, um dos lugares ideais para os aficionados pela data. Que baita contradição, hein. Não gosto de muvuca, execro todos os bêbados insuportáveis, abomino harmonia do samba e axé blond e detesto pegação – pra não dizer palavra mais chula. Falando assim, por que então vou fazer minha mala e cair na gandaia? Porque eu não sou louca de ficar em casa assistindo aos desfiles da Sapucaí, aos festejos dos soteropolitanos e à exultação de quem acompanha o Galo da Madrugada. E, além do mais, com tudo o que tenho escutado dos meus acompanhantes de viagem, absolutamente tudo promete ser pura diversão. Eu vou. Sem preconceito.

 

Pra quem vai e pra quem fica:

bom carnaval.





Rê contou sua estória às 09h09

[   ] [ envie esta mensagem ]




Não seria bom?

Tão simples e tão bacana. Essa é uma letra cantada pela banda Beach Boys. Espero que vocês gostem como eu gostei.

 

***

 

Wouldn't It Be Nice

Composição: Brian Wilson

 

Wouldn't it be nice if we were older
Then we wouldn't have to wait so long
And wouldn't it be nice to live together
In the kind of world where we belong

You know it's gonna make it that much better
When we can say goodnight and stay together

Wouldn't it be nice if we could wake up
In the morning when the day is new
And after having spent the day together
Hold each other close the whole night through

Happy times together we've been spending
I wish that every kiss was never ending
Wouldn't it be nice

Maybe if we think and wish and hope and pray
It might come true
Baby then there wouldn't be a single thing we couldn't do
We could be married
And then we'd be happy
Wouldn't it be nice

You know it seems the more we talk about it
It only makes it worse to live without it
But let's talk about it
Wouldn't it be nice





Rê contou sua estória às 16h57

[   ] [ envie esta mensagem ]




A lareira

 

Para:

Alexandre Horta

 

A primeira coisa que veio à sua memória foi uma lareira. Apesar da recordação ter durado alguns minutos longínquos ela não supôs que sua cabeça fosse boa. Era, tanto quanto ela podia imaginar, bastante ordinária. De qualquer modo, sendo ou não sendo banal, naquele pouquíssimo tempo ela havia se lembrado de coisas que em épocas normais levar-se-iam, no mínimo, três dias para que tudo se colocasse naquela ordem. Como disse, lembrou-se da lareira e de um pouco mais e danou-se a chorar – prato cheio pra comadres que gozam quando notam que há na reta alguma dor-de-cotovelo. Topetuda que só vendo, ela conservou-se grande e incógnita. Seu chororô durou bem pouco. Foi o tempo que sua primeira lágrima levou pra cair ao chão e sumir. E não foi pra tanto. Dentro de toda aquela grande dor não existia som de pancadas, tiros, pragas nem de tilintar de esporas. Era um medo meio besta. Um medinho, que segundo ela, vinha lá da alma, de um canto da alma – talvez. Era receio de começar de novo. Zangava-se ao perceber que até quando dormia ele aparecia de um jeito ou de outro nos seus sonhos. E quando já era dia, zangava-se ainda mais quando percebia que lá estavam os devaneios de quem inda lembra, de quem inda tem apreço e de quem inda gosta demais. Do seu azedume até ela já devia estar farta. Mais ainda empanzinada de sorrisos amarelos e dias de nenhuma cor. Era coisa só dela, ninguém era capaz de ver, muito menos de sentir. De toda história, confesso: eu não sei. Só me disseram que dia desses o amor dela voltou. Voltou, porque nela, havia pedaços dele próprio. Penso que devem estar encolhidos um no abraço do outro, misturados num só corpo, vivendo felizes, em clemência àqueles que nunca tiveram um grande amor.





Rê contou sua estória às 07h19

[   ] [ envie esta mensagem ]




Minha estréia como conselheira

Estava aqui em meio à correria do trabalho, quando recebei esse e-mail de uma colega. Achei bacana ela ter confiado a mim a tarefa de lhe aconselhar, uma vez que, nem somos próximas. Não sou muito boa nisso, mas tentei escrever alguma coisa verdadeira, alguma coisa que dissesse um pouco do que venho pensando nos últimos tempos. Mediante consentimento de quem enviou, compartilho os e-mails com vocês.

 

***

 

Renata,

 

Viver é buscar a felicidade. E para tanto é necessário sentirmos úteis e reconhecidos. O que não estou sentindo. É certo que toda nossa realização depende de nosso esforço. Mas, ainda assim não consigo compreender estes altos e baixos que estão oscilando no meu interior. Ora satisfeita, ora insatisfeita. A única conclusão que cheguei é que ainda não me encontrei. E isto está me incomodando. Não tenho prazer em permanecer apática. Aqui não está meu sonho, mas está a necessidade. Enquanto não conseguir unir ambos, não terei pleno prazer em viver. A apatia, a inutilidade e a ociosidade é o incômodo que está vigorando nesta exata passagem. Não sinto bem em descarregar estas lástimas, e muito me admira falar delas assim. Mas a essência primordial é o encontro pessoal e o direcionamento das perspectivas para um presente melhor. Não digo futuro, pois o que quero é viver cada instante, cada segundo de minha vida com mais prazer e felicidade. Todos os dias nos deparamos com relatos sobre vida. Comparações relativas a alguma situação ou procedência da inteligência humana como a matemática, o universo, as estrelas, uma árvore, sementes e seus respectivos frutos. Há uma diversidade de comparações. Porque não comparar a vida com a própria vida? Parece loucura! Mas, a experiência de cada ser é equiparada a uma lição estratégica para resistir aos anseios saciando todos os sentimentos.

 

 

***

 

Querida Lu,

 

Você é libriana, eu sou pisciana. Conclusão: em alguns momentos pensamos e sentimentos coisas muito semelhantes. Por essência, sou uma pessoa que sempre está em busca de algo. Às vezes, nas minhas reflexões, indago-me: “Mas, poxa! Isso não é justo! Tenho pais maravilhosos, moro numa casa legal, convivo com pessoas interessantes, estou estável financeiramente, minha vida afetiva está entrando nos eixos, enfim. Sendo assim, por que me sentir angustiada ou coisa e tal?” Sim, tenho feito essa pergunta a mim com bastante freqüência. No entanto, quando consigo me despir de todos os julgamentos, cobranças e preconceitos, vejo que isto faz parte de mim, da minha natureza. E contra a nossa natureza é inválido lutar. O que podemos fazer é tentar minimizar o sofrimento que esta tal natureza nos impõe. É possível fazer isso? Claro que é possível. Estou conseguindo. Sabe por quê? Porque tenho lutado e quebrado a cabeça com o propósito de ser uma pessoa melhor. Assim como você, me sinto ainda muito apática. Sabemos que podemos doar muito mais, que podemos ser muito mais úteis. Profissionalmente, digo-lhe com o coração aberto que quero e vou viver do que escrevo. Enquanto isso não ocorre, enquanto eu não ganho meus louros através da escrita, eu não desisto, porque sei que em qualquer lugar onde eu estiver posso aprender e absorver coisas muito bacanas. É assim que vou caminhando. Meses atrás passei por uma fase um tanto quanto turbulenta. Eu não sabia o que queria, não tinha a mínima idéia do que me angustiava tanto. Aos poucos, as coisas foram se assentando e, conseqüentemente, fui me sentindo bem mais tranqüila. Tenho tantos projetos que ainda não pude desenvolver. Você tem 24 aninhos, eu tenho 21. Somos tão jovens, tão cheias de vida. Imagine o que ainda podemos fazer por nós e pelos outros? Muito, o que quisermos. Não se envergonhe de estar expondo com tanta verdade os seus sentimentos. É assim que se faz. Devemos ser verdadeiros, antes de tudo. Acredito, sim, que você esteja no caminho certo. Não sei se te conforta, mas aqui também não está meu sonho. Discordo de várias coisas, não compactuo com tantas outras. Mas é assim que a gente aprende a se conhecer, sabia. É nos encontros e desencontros que vamos moldando nossas escolhas e gostos. Lu querida, viva cada instante como se fosse o único. É difícil, às vezes me sinto medíocre e impotente. Mas dê cada passo com a certeza de que não poderia ter sido melhor. Viva e não se leve tão a sério. Meu namorado é quem diz muito isso: “Rê, pelo amor de Deus, não se leve tão a sério!” Sorria, brinque, chore, exponha, converse, grite... Faça, simplesmente, o que tiver vontade. Viva sem medo de ser feliz. É clichê, mas é a mais pura da verdade.





Rê contou sua estória às 16h36

[   ] [ envie esta mensagem ]




Vou bem, obrigada!

Respondendo à pergunta do post anterior: EU ESTOU BEM. ESTOU MUITO BEM. E ERA POSSÍVEL FICAR BEM, SIM. Imaginava, porém, que levaria algum tempo até chegar a essa resposta.

 

Mas não...

... veio rápida!

 

Tâmara, Lucimar, Fernanda, Ana Laura,

Fátima, Pamella, Flávia, Paula e Isabela,

 

OBRIGADA.

É só o que posso e consigo dizer.





Rê contou sua estória às 09h06

[   ] [ envie esta mensagem ]




E agora, José?

 

E quando há diante de você duas escolhas, MAS, você não tem a mínima idéia do que deve fazer, MAS, é necessário escolher, MAS você sabe que qualquer uma das duas vai te fazer sofrer? O que fazer quando o coração opta pela primeira, MAS, a cabeça – irmã da razão – quer a outra? E quando há orgulho e insegurança no meio disso tudo? E quando você decide entender a questão – leia-se a 1ª opção – acha que tudo se firmou, que inclusive sua cabeça e seu coração estão em perfeita sintonia, MAS, dias depois tudo vai por água abaixo? O que fazer? Há alguma fórmula no mundo capaz de tranqüilizar o coração a partir de uma decisão bem mais racional? Não dá pra desligar um botão e fingir que não há nada te preocupando, te deixando ansiosa? Não dá pra fechar os olhos, respirar fundo e dizer:

 

EU VOU FICAR BEM?





Rê contou sua estória às 13h03

[   ] [ envie esta mensagem ]




SUAVE AMIGO

Na última quarta-feira, Seu Ildeu, um dos meus maiores mentores e poeta grandioso, se despediu desse mundo. Três semanas atrás o telefone da minha mesa de trabalho tocou. Era meu pai que dizia: “Renata, o Ildeu tá aqui fora. E disse que não vai embora enquanto não te ver!” Fui vê-lo com uma alegria singular e com uma emoção dispensada a poucos. Lá estava o moço com seus oitenta e poucos anos e sua bengala e sorriso inseparáveis. Nos emocionamos como já era de se esperar. Foram poucos minutos e poucas palavras trocados. Como sempre eu ouviria: “Menina, conserve o que Deus te deu de melhor. Aprenda sempre com as palavras!” Dentre os poucos, aquele fora o nosso último encontro. Quando recebi a notícia não chorei nem aguardei esclarecimentos. Disse a meu pai que naquele momento Seu Ildeu já devia era estar felicíssimo trocando idéias com Drummond - seu gênio maior. Meu amigo, sabichão como poucos o eram, devia estar ouvindo fórmulas mágicas capazes de imobilizar o tempo, dar voz às rosas e transformar tudo em dádiva. Porque é assim que imagino o outro mundo. Porque é assim que desejo quando, também, estiver na minha hora. Pois Deus há de me permitir que num encontro longínquo eu também descubra meus ídolos antigos e a eles eu possa, pelo menos, saudar.

 

Suave Amigo, que saudade...





Rê contou sua estória às 07h32

[   ] [ envie esta mensagem ]




Feliz Ano Novo

 

Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano,

foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez com outro número e
outra vontade de acreditar que daqui para adiante vai ser diferente.

Para você, desejo

o sonho realizado.
O amor esperado.
A esperança renovada.

Para você, desejo

todas as cores desta vida.
Todas as alegrias que puder sorrir
Todas as músicas que puder emocionar.

Para você neste novo ano,
Desejo que os amigos sejam mais cúmplices,
Que sua família esteja mais unida,
Que sua vida seja mais bem vivida.

Gostaria de lhe desejar tantas coisas.
Mas nada seria suficiente para
Repassar o que realmente desejo a você.
Então, desejo apenas que você tenha muitos desejos.
Desejos grandes e que eles possam te mover a cada minuto, ao rumo da sua
FELICIDADE!!!



Carlos Drummond de Andrade





Rê contou sua estória às 11h44

[   ] [ envie esta mensagem ]




À espera de Papai Noel

Dias atrás minha sobrinha perguntou se eu já havia escrito a cartinha para o Papai Noel. Disse a ela que sim e que já havia até mandado. Ela, então, no alto dos seus cinco anos – doida pra entender tudo – queria porque queria saber o que tinha lá. Eu em contrapartida, no alto dos meus 21 anos – doida pra deixar de entender tudo – respondi que pedi a Papai Noel que me desse um pouco mais de sabedoria e astúcia. A pequena fez uma carinha tão grande de decepção que eu precisei inventar naquela hora alguma coisa menos séria. Criança quer lá saber de sabedoria? Sensibilizada, tratei de comunicá-la que na minha cartinha, além de pedir sabedoria, pedi também uma bicicleta, uma barbie e um ursinho de pelúcia. Ela se animou, soltou aquele sorriso de encher de alegria qualquer um, me deu um abraço forte e disse: “Então você me empresta sua barbie? Por favor, tia...”

 

Pra vocês eu posso contar a verdade. Eu ainda não fiz a minha cartinha, mas tenho pensado muito em como quero ser no próximo ano. Eu sempre penso! Fim de ano pra mim sempre foi um período pouquíssimo agradável e muitíssimo estranho. De repente, fico jururu, pensativa por demais, cheia de dúvidas. Será possível? Todo ano é a mesma ladainha e quem me conhece nem liga, pois, já sabe que Papai Noel nunca foi sinônimo de alegria. Entretanto, eu esperava que esse ano fosse diferente. Esperava ter tido ânimo pra montar uma árvore de natal bem linda, enfeitar toda a frente de casa com piscas-piscas, embrulhar mil caixas com papel de presente pra deixar debaixo da árvore, programar uma ceia bonita com pratos minuciosamente decorados, sair pra comprar os vinhos preferidos do meu pai e os presentes de quem é querido. Queria, sobretudo, ter tido ânimo para esperar o Papai Noel passar a meia-noite com a minha bicicleta, com a minha barbie, com meu ursinho de pelúcia... ou mesmo com a minha sabedoria.

 

Estou aqui no trabalho diante do meu computador completamente envolta a demonstrações fartas e sinceras de carinho. Na minha mesa tem um anjinho, uma caneta linda e uma graça de boneca feita de biscuit que ganhei da Tâmara, um porta-recado escolhido pelo Miguel, um outro enfeite presenteado pelo Roberto, na primeira gaveta há três cartões: um da Tati, um da Cida e um do Marquinho - um mais lindo que o outro – e um livro enviado de longe por um amigo do meu pai que sabe o quanto gosto de poemas. Na caixa de e-mails, há pelo menos umas trinta mensagens de “Feliz Natal”. É bom de vez em quando receber esses mimos. O que seria uma data pouco bem-vinda passa a ser uma época de pequenas, mas boas surpresas. Desejo a todos que gostam e que não gostam do Natal: um tempo especial para refletir, mudar o que tem de ser mudado, fazer ficar o que deu certo e ser feliz, ou pelo menos tentar... já é um bom começo. Confesso que 2004 foi bom, mas esteve aquém das minhas expectativas. Eu gostaria de ter feito um pouco mais pelas pessoas que amo e bem mais por mim. Estive confusa, intranqüila e muito séria em alguns momentos. Hoje percebo que não era pra ter feito muita coisa, que falei em momentos em que não devia ter dado um pio, que fiquei calada quando tinha de ter gritado, que chorei por coisas imbecis, que não dei importância ao que realmente teria efeito sobre a minha vida (...) Enfim, meu povo, eu errei muito mas acertei um pouco mais. Ainda assim, a balança é positiva e, por isso, valeu à pena ter feito.

 

Eu quero ser melhor no próximo ano.

Quer dizer, eu vou ser melhor no próximo ano.

 

Espero que vocês façam parte das minhas estórias enquanto esse espaço existir. Obrigada a todos que estiveram por aqui. Sou muito grata a vocês.

 

AMIGOS,

FELIZ NATAL.

 

 

Volto em breve,

Renata Gonçalves





Rê contou sua estória às 08h08

[   ] [ envie esta mensagem ]




Desejo pra mim

Pois no conforme vejo,

que de repente aquele não era meu

                                             lugar,

 

não era tempo de chuva,

tampouco de dias nublados.

Mas quem ali ousava em querer

alguma natureza palpitante ou

pedir licença pra ver o sol pouco ocluso?

 

Peço a quem puder socorrer minha

                                      fraqueza,

 

que abrevie esses dias e me conceda

um rosto sem dor e sem impaciência.

Que cesse de uma vez minha culpa vã

que faça partir todos os desesperos noturnos

e terrores diurnos.

 

Que a vida é breve.

E um dia todos os versos serão perfeitos.





Rê contou sua estória às 10h19

[   ] [ envie esta mensagem ]




Um amor que se fez eterno

Texto escrito em 28 de maio de 2003.

 

Cheguei ao Galeão às 22h00 da noite de sexta-feira, 23 de maio de 2003. Deveria desembarcar no aeroporto Santos Dumont, mas por causa dos ventos intrépidos que assolavam a capital fluminense naquele dia, meu destino inicial tivera de ser alterado. A canção de Tom Jobim, relembrada no próprio Galeão, proferia que aqueles dias entrariam para meu quadro de significantes reminiscências. Minha última visita ao Rio acontecera em dezembro de 1997, ainda no século passado. As amigas Isabela Senra e Keila Vieira já estavam no apartamento da Rua Barão da Torre à minha espera. Pareceu-me estarem ainda mais jovens e animadas. O Rio tem dessas coisas. Fomos ao “Bar da Praia”. Por lá, acabamos por brindar o encontro que se tornaria histórico a nós três. A noite foi divertida, cheia de surpresas, conversas hilárias e pouco exaustivas. Lá pelas tantas da madrugada, Keila foi se embora para Ipanema e Isabela e eu seguimos rumo para o Jardim Botânico. Não podia acreditar na vista que era permitida aos meus olhos. O Cristo Redentor era quase um vizinho, de tão próximo.

 

Na manhã seguinte, depois de uma bela caminhada pela Lagoa, buscamos Keila, passeamos pelas Ruas de Ipanema, inclusive Vinicius de Moraes e Almirante Sadock de Sá, observamos o vai-e-vem das pessoas, comprei band-aids para os meus pés e lá fomos nós para a “Bienal do Livro”, no Riocentro. A tarde daquele dia, como era de se esperar, foi de um deslumbramento insuperável. Tornava-se necessário caminhar por todos os pavilhões, de modo indefinido, inspiradas pela curiosidade e excitação. Éramos três amigas tresloucadas prestes a descobrir emoções de um mundo que naquele momento se revelava bem mais tocante. Gosto de pensar que é por meio da Literatura que o mundo se entende. Perdemos o tempo de vista e nos esbaldamos com conversas, planos, gargalhadas e croissants. Ferreira Gullar viria mais tarde nos surpreender com as histórias vividas ao lado do amigo Dias Gomes. Troquei meia dúzia de palavras com o escritor e isso, amigos leitores, valeu-me por um século de bienais. Não pudemos esperar pela apresentação de Frei Betto, e às 18h15, pegamos o caminho de volta para Ipanema.


Cantávamos “Se todos fossem iguais a você” e “Chega de Saudade” ao som das ondas que se quebravam impetuosamente. Parecíamos estar em tempos mais amenos. Ao contrário do que diria Paulo Francis, a cidade - naquele segundo especificamente - jamais estivera tão maravilhosa. Paramos em um café e pedimos tortas de nozes, chocolate e morango. Keila permaneceu no local e Isabela e eu caminhamos até o apartamento do Jardim Botânico. Nada a declarar, senão os momentos de tensão vividos pelas duas incautas, perdidas em plena zona sul carioca. Não tínhamos idéia do perigo, e por isso, recordo o momento com tanta graça. Preparamo-nos, cuidadosamente, tomadas por um perceptível fio de cansaço, e horas depois, lá estávamos nós nos engraçando com taças de champanhe, num canto bastante aprazível do Hotel Marina. O que se sabe é que terminamos a noite embaladas pelas inebriantes canções dos anos 70 e 80.


“Porque hoje é ‘domingo’, desejarei escrever novamente o poema sobre o dia de hoje, sentindo a antiga perplexidade diante da palavra escrita em poesia, e, como dantes, levantar-me com medo da coisa escrita e ir olhar-me ao espelho para ver se eu era eu mesmo...” No domingo, Isabela foi ao encontro de dois amigos no Arpoador. Keila, como já se sabe, ficara recolhida no abraço de seu bem. E eu, aos pés do Cristo Redentor, cheia de emoção e inteiramente tomada pela saudade, dava por encerrada minha breve passagem pelo Rio. Só Deus sabe o quão sofrida era minha despedida.

 

Num grito de súplica e vociferação, pedi à vida que não me privasse de momentos extraordinários como aquele. Desejei, também, que aquela saudade profunda não se repetisse no peito. Sorri ao Rio e disse num tom essencialmente íntimo: “Nos veremos em breve!”





Rê contou sua estória às 07h20

[   ] [ envie esta mensagem ]




A menina no espelho

Texto dedicado à minha mãe eterna

 e querida Pá...

 

É nítida a minha admiração pela obra de Fernando Sabino. A cada leitura, uma nova identificação. E a cada nova identificação a certeza de que seu papel de escritor não poderia ter sido mais bem cumprido. Passeando pelas páginas do livro O menino no espelho, não só me reconheci nelas como em muitos momentos achei que aquela era uma história contada por mim. Se assim for, deixemos o enredo como está, porém, com a seguinte observação: agora, ao invés de menino Fernando, menina Renata – em dois capítulos escolhidos para ilustrar essa proximidade.

 

Pulamos alguns anos, alguns lugares, alguns personagens e lá está ela. Assim como o Fernando, ela não via mal nenhum em dar trégua para as conversas dos bichos que viviam em sua casa. Como se fosse a coisa mais natural do mundo, o cachorro da família, o jabuti do irmão do meio e o passarinho do pai ganhavam voz e viviam em perfeita harmonia. Pra completar a turma dos faladeiros, ainda tinha o amigo imaginário Naninho. Naninho era o nome de um travesseiro, na época amigo inseparável, que a menina teve até os quatro anos. Por isso, sua justa homenagem. A Pá, moça que cuidava da menina, não via qualquer nexo naqueles papos com a bicharada e com o tal de Naninho, este pior porque nem existia. A Pá que não era má a olhava de vez em quando com ar de suspeita, mas lá no fundo ela achava era muita graça daquela arrumação toda. E era sempre que ela dizia para a Maria, mãe da menina: “Não sei onde a Renata encontra tanta história pra poder contar pra esses bichos.”

 

No tempo de Fernando os aviões se chamavam aeroplanos. No meu já eram aviões mesmo. Tirando o nome e a pouca sofisticação dos teco-tecos de antes, os aviões do tempo do Fernando e os do tempo da Renata eram muito parecidos. Imagine, também, se criança quer lá se preocupar com as questões técnicas. Os dois queriam apenas voar. E na cabeça deles isso seria mais simples que estralar os dedos. Para a Renata, então, que já conhecia dos seus sonhos todas as sensações que um vôo podia proporcionar devia ser ainda mais fácil. Para voar, Fernando chegou a criar um equipamento pra lá de extraordinário. Mobilizou sua força física, sua criatividade e sua audácia e não ficou pra trás. Desistiu da aventura de voar em seu próprio avião, quando seu equipamento correu com ele pelo quintal e espatifou-se de encontro ao muro. Renata chegou a desenhar e buscar os materiais para a construção de seu avião. Ficaria lindo e disso ninguém duvidava. Mas depois de muito pensar, ela chegou à conclusão de que queria voar como voava em seus sonhos. “Seria um vôo de pássaro e não de gente”, pensava ela. Na escada que servia para ligar a parte de baixo de sua casa ao jardim da frente é que acontecia o grande fenômeno. Era só ficar no topo da escada e levantar um pouco os braços. Pronto, em pouco tempo ela podia avistar do alto não somente o telhado da sua casa, como os telhados das outras casas mais próximas. Depois de planar por alguns minutos, ela descia e permanecia ali no degrau mais baixo da escada como se nada tivesse acontecido. Até aí era sonho e, por isso, ela não se contentava. Era preciso voar de verdade. Foi, então, que ela acordou disposta a isso. Correu até o topo da escada, levantou os braços na altura adequada, concentrou-se como jamais havia se concentrado, e antes de dar o seu maior pulo, contou até dez e (...) Lá estava a Pá, com os olhos esbugalhados e com o coração na boca, agarrando a menina pelas costas. “Você quer me matar antes da hora, Renata? Quer?”, gritou aos prantos. “Tudo bem, Pá, eu penso numa outra forma de voar”, respondi louca de raiva.

 

Mais adiante e agora bem mais crescida penso nas boas lembranças de minha infância. E vejo, alegremente, que aquela criança que um dia quis voar, que um dia deu sua amizade a um amigo imaginário, que um dia bateu papo com os bichos de sua casa, que um dia achou que todas as pessoas fossem boas, que um dia acreditou que o escuro fosse seu maior medo e que a dor mais forte que ela podia sentir vinha da palmada de sua mãe, ainda existe dentro de mim. O menino Fernando, que como vocês sabem vem a ser o próprio Sabino, descobre o melhor de si mesmo e nos deixa espaço para que também possamos descobrir o que há de melhor em nós. Foi com muita surpresa e deslumbramento que cheguei ao fim do livro “O menino no espelho”.

 

Espero que você opte pela mesma leitura.

Se assim for, que esta seja a mais prazerosa e lúdica possível.





Rê contou sua estória às 07h05

[   ] [ envie esta mensagem ]




Nosso tempo

Fui apresentada à ele no último domingo. Desde então tenho me sentido muito mais disposta, muito mais ativa. Ele é pequeno, mas a sua eficiência nada tem a ver com seu tamanho. Ontem acordei pensando nele, hoje também e amanhã não deve ser diferente. Ele tem sido um fantástico companheiro desde o dia em que o conheci. Encontrá-lo realmente era o meu desejo. Guaraná em pó, veículo óleo vegetal hidrogenado, sequestrante sulfato de cálcio, glaceantes: ácido esteárico e cera de camaúba, antiumectante dióxido de silício. É disso tudo que é feito esta oitava maravilha do mundo, minha gente. O que você pensou que fosse, cara pálida? Não, claro que não era isso. Mas pra ele que tem tirado muito do meu cansaço e me deixado acesa em frente ao computador em prol da atualização deste espaço, reservo os melhores elogios. A ele, este complexozinho enérgico, devo muito, inclusive ter tido pique para analisar as dezenas de textos e relatórios que são apresentados a mim a cada meia hora, ter finalizado a leitura de dois livros em dois dias, ter conseguido assistir ao Jornal Nacional sem pescar um segundo sequer, ter acordado às 6:15 e não ter me sentido torturada por isso e o que é melhor, ter ido pra cama às 11:30 da noite depois de tudo isso sem a sensação de ter sido atropelada por um caminhão. Pra quem estava se sentindo pior que um bicho-preguiça, encontrar pique nas dezessete horas ativas do dia foi um feito e tanto. Esse é o nosso tempo. Tempo em que ser mulher-maravilha ou super-homem é nada mais nada menos que uma questão de sobrevivência.

 

***

Meu último fim de semana em Goiânia e Caldas Novas não teria sido tão bom se eu não tivesse desfrutado da companhia dos amigos Wárcio, Ingrid, Consuelo, Thales e Francis. Sobre as notícias de lá contarei em breve. Só não prometo, porque as várias promessas de textos ainda não foram totalmente cumpridas. Mas serão...





Rê contou sua estória às 08h10

[   ] [ envie esta mensagem ]


[ ver mensagens anteriores ]
 





Pisciana nascida no dia 15 de março. Dizem os astros que alguém assim mistura uma pitada de cada um dos onze signos anteriores. A infantilidade de áries, a sensualidade de touro, a suscetibilidade de câncer, a maleabilidade de gêmeos, a magnanimidade do leão, a acuidade de virgem, o mimetismo de libra, a sagacidade do escorpião, a benevolência de sagitário, uma certa reserva própria de capricórnio e uma tendência a desligar típica de aquário. Mas pensando bem, apesar de encontrar certa veracidade na compreensão zodiacal, é muita confusão para uma cabeça só. Tudo bem que eu possa parecer tão complexa vez ou outra, mas em geral, não sou um bicho de sete cabeças. O ar melancólico e o olhar vago já falam por si só. Nessas horas, preciso de silêncio e concentração. Nas outras, o sorriso largo e pra lá de sincero convida para um momento mais extrovertido. Para quem apreende facilmente os meus momentos, já é meio caminho andado. Não sou de lua e nem inteiramente constante. Devo estar no meio-termo, se é que isso se faz possível. Espelho-me nos meus pais, na genialidade de Drummond e Clarice, na poesia de Vinicius, na bossa de Tom, e nas pessoas que de alguma forma contribuíram para que eu fosse um pouco melhor hoje. Essa sou eu. Muito prazer! Fique à vontade, tá. Ah, meu nome? Renata! Mas pode me chamar de Rê...

06/02/2005 a 12/02/2005
30/01/2005 a 05/02/2005
23/01/2005 a 29/01/2005
16/01/2005 a 22/01/2005
26/12/2004 a 01/01/2005
19/12/2004 a 25/12/2004
12/12/2004 a 18/12/2004
21/11/2004 a 27/11/2004
14/11/2004 a 20/11/2004
07/11/2004 a 13/11/2004
17/10/2004 a 23/10/2004
10/10/2004 a 16/10/2004
03/10/2004 a 09/10/2004
26/09/2004 a 02/10/2004
19/09/2004 a 25/09/2004
12/09/2004 a 18/09/2004
05/09/2004 a 11/09/2004
29/08/2004 a 04/09/2004
22/08/2004 a 28/08/2004
15/08/2004 a 21/08/2004
08/08/2004 a 14/08/2004
01/08/2004 a 07/08/2004





A Fina Flor do Brega
Amor X Combinar
Baiana Feliz
Balanço de Dez em Dez
Bavardage
Betamania
Casa da mãe da Joana
Comédias da vida gelada
Deu a Louca no Mundo
Dígito
Esse é o blog
Eu sou assim
É duro, hein!
Gueixa Bania
Ilvia no país das maravilhas
Isso Só Acontece Comigo
Madrugada na Sala
Mafalda Crescida
Maria sai da toca
Megeras Magérrimas
Mil e Uma Utilidades
More than I hope
Nada mais de malmequer
Ninguém lê esta porcaria
Não é de sua vida
Olhando a vida de Frente
Palavras Soltas
Pequena Jornalista
Psicólogo Neurótico
Ria da minha vida
Santa pazzia!
SlothSam
Tigre
Uma Menina no Sótão
Viajando com a Shally
Villa da Lucia
Vista Da Cidade





Chez Julia

Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com